O click para a mudança


Por influência do desporto sempre fui estimulada a ter certos cuidados com a alimentação, ainda que a realidade actual nada tenha a ver com a realidade que se vivia na fase em que eu encarava o desporto com responsabilidade e objectivos.

Confesso que nunca fui aquela atleta disciplinada com a comida, primeiro porque antes da entrada na idade adulta, tinha um metabolismo invejável, que em junção com o treino diário, mantinha a minha silhueta em " ponto de rebuçado". Depois, porque numa casa cheia, comiamos o que era colocado na mesa sem reclamar.

A partir do momento que saí de casa e comecei a fazer a minha própria gestão, tentei adaptar o conhecimento que me havia sido passado pela minha querida avó ( com quem fui criada) ,que foi durante uma vida cozinheira de profissão, à realidade actual. Infelizmente a comida tradicional passou a ser " inimiga" de uma dieta saudável, e os produtos que estão disponiveis no mercado, nem sempre são os mais acessíveis à carteira ou os mais saudáveis.

Tenho por experiência que não basta "cortar" um bocadinho aqui e acolá. Para quem gosta de comer e principalmente para os que "jogam na equipa dos gulosos" como eu, se não tiver alguns cuidados básicos e diários, as formas começam a ganhar ainda mais forma, estas, que a médio prazo se constituem num problema e me obrigam a dedicar mais tempo aos tachos, à leitura e ao ginásio...

Pós vida de casada e mãe:

O meu marido, tal como eu gosta de comer bem...não muito, mas bem...

Infelizmente o metabolismo dele é bem mais malandro que o meu, motivo pelo qual tem mais dificuldade em manter o peso e volume dentro do que seria expectável.

À cerca de 4 anos, atacado por uma cólica renal recorremos a um urulogista recomendado por um amigo. Após exames e umas análises mais específicas, o Pedro foi informado que tinha os trigliceridos a "rebentar pelas costuras" e sem rodeios, o médico disse que se ele queria ver os filhos a crescer, tinha que mudar efetivamente alguns dos seus hábitos alimentares e tentar sair do sedentarismo associado à sua atividade profissional. Há muito que o colesterol dava um ar da sua graça, mas nada que o fizesse preocupar.

Acho que pela primeira vez o vi realmente assustado...( Na realidade ficámos os dois).

 As palavras do médico ecoaram na nossa cabeça durante uns dias, até que conversámos e decidimos que deviamos procurar ajuda. 

Pensámos que deveriamos começar pela base, ou seja, a alimentação.

 Não queriamos a convencional consulta de nutrição, focada só e apenas na perda de peso, mas alguém que ajustasse a alimentação à nossa realidade.

A perda de peso é fundamental, mas tornar essa perda natural e não assumir que vamos entrar em regime, penso ser meio caminho andado para tornar o processo menos dificil.

Depois daquela primeira consulta, senti que o conhecimento que tinha a nivel nutritivo, ( e que eu pensava ser acima da média) precisava de ser mais aprofundado. 

E básicamente tudo começa aqui...

De forma quase espontânea, quer eu quer o Pedro, começámos a investir em literatura, pesquisa e a cruzar informação. Olhar as coisas mais ao pormenor e decifrar o que significavam aqueles nomes estranhos, que vêm nos rotulos do que consumimos diáriamente, foi o primeiro grande desafio.

Confesso que fiquei e fico apreensiva por perceber que quase nada do que consumimos vem da origem...

Confesso que me assusta tentar encontrar coisas apelativas e "limpas" de processos químicos, sal e açucares para os meus filhos, e que o mercado não oferece...

 Este raciocínio, levou-me para uma visão e opinião mais pessoal, que se prende com a saúde.

Quando penso nas doenças que nos envolvem todos os dias, é dificil não fazer um paralelismo com o que comemos.

Se a alimentação sofre todo o tipo de processos, que de naturais têm muito pouco, então ao consumirmos, iremos também sofrer alterações no nosso organismo...

 Posto isto e sem entrar em radicalismos, numa fase inicial, comecei a perder mais tempo na hora de comprar e de forma gradual, fui substituindo a base do que tinha disponivel na cozinha, por alimentos equiparados e percebi que há imensas alternativas, desde que saibamos o que são e onde encontrar...

Não sigo nenhuma corrente alimentar, ainda que saiba em que consiste cada uma e não lhe retire valor, no entanto acho que cada um de nós deve adaptar a sua vida, às circunstâncias e ao seu ponto de vista, porque o que para mim faz sentido, pode não fazer para o ti.

Todos os dias estamos em mudança...

Nem sempre o processo é linear, porque a vida não é uma novela em que na maioria das vezes o final é feliz...

Há altos e baixos! Há dias de maior fadiga! Há dias em que simplesmente não apetece fazer, porque fazes todos os dias e simplesmente comes o que te apetece sem culpa...

Mas estas são as excepções...A regra tem que ser a via saudável.

Coisas boas, atraem coisas boas, por isso sempre que estamos num ciclo menos bom, temos que pensar o que motivou " o click para a mudança"...E se mesmo assim não bastar, então somos forçados a olhar para os nossos pequenos e lembrar que eles são o nosso resultado e aí não poderão restar dúvidas!:)


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